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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Planeta Eu

Quando percebi, estavam todas amarelas. A primavera chegou sem eu ter dado conta que o solo ja tinha rasgado. De longe não dá pra notar. Mas, de perto, elas aparecem demais. Tudo que é visto de muito perto, perde seu encanto e mistério. As espinhas amarelas cobrem minha cara e é uma pena que não posso chamá-las de flores.

Parei de chorar na frente dos outros na mesma época comecei a chorar sozinho no meu quarto. Sinto o gosto salgado das lágrimas toda vez que elas chegam na minha boca, mas não sei dizer se é bom ou ruim. Talvez eu preferisse o gosto do Danoninho de morango congelado que insistia em chamar de sorvete quando era criança. Mas isso ja faz tempo.

O chaveiro rosa escrito IDENTITIES arrebentou-se do zíper da minha mochila e achei que foi um recado para mim. Lembrei de uma frase que li em um algum Blog: ” Sou sempre eu mesmo, mas concerteza não serei o mesmo para sempre “. Chego à conclusão de que crescer é se conhecer cada vez menos.

Hoje, o MSN apita, indicando que você entrou e espero feito idiota você me dar oi. É claro que você não diz nada. Eu digo “e aí?” e só fico imaginando você fechando a janela e me ignorando, antes de seu status mudar para “away”. Gostaria de poder culpas as espinhas por isso, mas você nem sabe que elas estão aqui.

Ainda insisto em ler livros e ver filmes que me fazem pensar. Talvez seja o único da minha idade que goste de fazer isso. Ou talvez eu seja mesmo de um planeta diferente, esperando para ser resgatado e então encontrar aqueles que se parecem comigo.

Por Esmir Filho, para a revista GLOSS.

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